O poder é uma condição dada junto aqueles que detiverem os meios para satisfazer e concluir seus fins. Efetivamente nesse processo, o poder simbólico torna-se evidentemente mais do que uma ferramenta, torna-se o próprio exercício do poder alcançado, pois, não basta ter o poder; este poder deve ser visto e reconhecido afim de efetivamente legitimar sua condição, ou seja: numa dada esfera, o poder deve ser reconhecido, estimado e respeitado ou temido (não onbstante: todas estas condições juntas).
Sendo o homem um animal político, a política tornou-se uma fonte de poder essencial; seja ela praticada junto a micro política inserida na relação indíduo/ indivíduo; seja nas relações sociais praticadas entre instituíções por via da organização social e sua dinâmica em constante movimento, seja na macro política entre Estados e todo o universo abarcado nessa condição. O poder é "sempre disputado" gerando antagonismos e oposições com relação a sua gerência. Uma vez instituído determinado poder vigente, cabe ao mesmo defender-se e promover a supressão de seus antagonistas. Então, seria uma visão romântica e ingênua acreditar que o poder exercído por determinado agente, é dotado invariavelmente de bom grado e boa fé, que aceite e permita ações e ideias bem como movimentos que sejam diametralmente opostos a essência desse poder dominante. Esse relação de aceitação e agrado pelo poder, nasce da vontade de exrcer um poder "igual ou semelhante" ao mesmo, ou pela alienação promovida pelos veículos e ações do próprio poder, que visa anular antagonismos promovendo falsas noções da realidade. O equilíbro do poder somente pode ser exercído entre poderes semelhantes, por exemplo:
*O poder democrático dos setores políticos Estatais em relação aos estados culturais democráticos dos sujeitos e sociedades. Um poder democrático experiênciado junto a sociedades violêntas tende a destruir-se e ser suplantado; vice e versa.
Dentre desse campo (eixo de disputa pelo poder), a política como conjunto de ações que gerênciam interesses e mediam necessidades e desejos, estará sempre carregada pela marca do poder maior: o dominante. Desse domínio por exemplo; nasce a moral como noção do bem, do bom, do correto e justo e seus contrários (o antagonismo). Reconhecer portanto a dinâmica constante do poder, é reconhecer a existência constante de um eixo de disputa entre a situação do poder e seus antagônicos.
Ao observar a História e o poder, podemos reconhecer facilmente que a capacidade para o poder parte da microfísica desse poder *( Michel Foucault - "microfísica do poder"), como um poder existente no indivíduo que o utiliza constantemente, e, irá desenvolver-se junto a sociedade dominante e sua cultura coercitiva. Podemos imaginar este processo desenvolvendo-se na "emancipação dos primeiros humanos", na formação de grupos de identidade seguidos por uma liderança, na formação de complexidades através da cultura social que em parte carrega a visão histórica de seus líderes, nas disputas pelo poder dentro desses mesmos nichos sociais e posteriormente ou mesmo, meio a estes tais processos, o contato, o conflito, a assimilação ou adapitação com relação aos grupos sociais diferentes, outras tribos e sociedades culturais. (Darcy Ribeiro - "O processo civilizatório") eis o elemento; poder, aí presente e determinante: configurador.
A configuração do mundo humano se deu através do exercício e da efetivação de poderes políticos, na aplicação do conhecimento que efetivou a capacidade de determinados grupos sobreporem-se aos demais sendo este poder o próprio fator determinante para a exploração e desenvolvimento do conhecimento junto aos processos ocorridos nos eixos de disputas nas relações diversas.
No mundo contemporâneo a leitura sobre o poder requer indissociavelmente uma leitura e consideração fundamentada no poder coercitivo da globalização. Generalizando, em termos macro históricos, ocorreram tres grandes e significativas revoluções que impactaram de modo irreversível a condição humana: a revolução da agricultura, a revolução indústrial e a revolução tecnológica *(Alvin Toffler - "A terceira Onda"). Nota-se aí, que os espaços entre as revoluções são cada vez menores entre si, dramaticamente menores. Os primeiros rudimentos da agricultura surgiuram por volto de 12.000 anos, a revolução indústrial ocorreu no século XIX , já a revolução tecnológica (Revolução digital) pode ser pontuada como iniciada efetivamente na metade do século XX. A globalização num contexto contemporâneo, é efeito direto dessa revolução tecnológica, uma revolução que permitiu uma mudança nas relações de poder de um modo absolutamente novo e portanto original. O mundo globalizado, para além da globalização dos negócios, da cultura e do conhecimento, também globalizou o desejo pelo poder num eixo de disputa que pode ser configurado como único, ou seja: uma vez "quebrando as barreiras sócio-culturais e políticas" igualmente quebrou-se "as barreiras junto ao poder e suas esferas de atuação", ou seja: a noção de poder de um determinado,sujeito,grupo, sociedade, ideologia, também globalizou-se e neste sentido o espaço de disputa deixou de ser o nicho de um determinado poder para ser disputado o controle sobre o prório mundo. Em meio a tal efeito, se nutre em termos de um senso comum, uma noção de democracia global, da manutensão do poder pelo viés da informação e qualificação das gerências sociais, pela possibilidade da expansão da consciência individual pela disponibilidade de informação, e pelo intercâmbio humano por via das relações de redes virtuais.
Atenhamos para a seguinte reflexão: Mudamos (em termos de constituição humana) a nossa relação com o poder e a política, evoluindo de fato para um grau de convivência mais pacífica, ordenada onde o próprio poder deve ser instruído por objetivos que reforcem a humanização e as relações com o mundo?
Ou as relações de poder foram sublimadas pelo o advento da globalização, arrastando e espalhando a vontade de poder junto as possibilidades de efetivar projetos de poder numa disputa pelo mundo, disputa essa diluída pela caracterítica líquida da cultura tecnológica e portanto de difícil reconhecimento em termos objetivos, mas que pode ser sentida subjetivamente ao observar os fatos políticos significantes em termos globais?
Uma outra reflexão possível dentro desse quadro, seria: as ditas teorias da conspiração, não seriam essencialmente um retorno ao mito? Carregariam elas explicações de senso comum diante de fatos inacessíveis, inadimissíveis, incompreensíveis a este mesmo senso, mas que apesar das fantasias residentes, há nestes termos algo de real e portanto há fundamentos ocultos não traduzidos e que são revelados através de narrativas fantásticas?
Que tipo de pensamento humano tem sido cultivado pelo globalismo? Como a humanidade tem se relacionado com o conhecimento e poder? O indivíduo vem se tornando o que em termos cuturais? (considerando que o homem é por definição um animal cultural). No que as sociedades vem sendo transformadas? O que é a política global e para quem ela serve hoje? Afinal estas questões podem ser resumidas na seguinte questão: Qual é, o que é, e para quem é o poder que rege o mundo contemporâneo e o que podemos efetivar diante dele?
( A cidadania hoje, é muito mais que a política entre direitos e deveres; a cidadania hoje requer um esforço para a geração do novo diante de forças nem sempre são claras e declaradas; quase nunca o são. Ser cidadão é "auto promor-se e promover sujeitos consciêntes das possibilidades do mundo para o dito bem e para o dito mal ;é insisir em ações e depositar fé numa humanidade como organismo existente como necessidade de consciência e consciência para a necessidade do exercício do poder).
L.L.L. 20.07.2018.

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