domingo, 10 de abril de 2022

 


                              DESPERTAR HUMANO E A ANTI HUMANIDADE EM SEU SONO

                              (" A Inteligência quando e como estado de coma profundo")

                                   A alegria pelo conhecimento que nos entristece.


Pois; diante do despertar, diante da incômoda posição de um saber que se choca com o mundo das massificações e das impressões dadas pela cultura deformadora, trilhar o caminho que nos afaste desse destino dos cegos, é um caminhar que depende de disposição individual onde, continuar significa renascer ou mesmo nascer de fato para o mundo; por outro viés - crer-se já sabedor, crer-se numa posição de chegada, significa morrer profundamente sem jamais fitar o Sol verdadeiro.

Insistir e investir-se no conhecimento e continuar esta tal trilha, lhe revelará cada vez mais "as coisas" que ali estavam escondidas sob o manto da escuridão da luz da impostura. Essas descobertas são feitas de desafios e indigestão, mas também há prazeres que igualmente nos foram tomados , roubados para então serem ignorados, até então desconhecidos, podemos falar de um estado de descobertas inclusive a descoberta de outras Belezas cujo o significado seja: o prazer pela vida em plena diversidade!

Entretanto, armadilhas há, o sistema da decadência se defende justamente pela ideia do conhecimento, pois o ignorante não defende a ignorância como valor - defende justamente o "conhecimento" ( entretanto: um “saber” que ignora a verdade, a devoção pela falsa luz)!

Sobre o conhecimento como valor humano, neste caminhar, não há de fato um destino certo, um ponto de chegada. Uma chegada seria um destino, um ponto fixo, uma condição que; vez atingida ali estaria um deus qualquer feito do absoluto e esta condição não é a condição humana. Somos viajantes sempre em busca do infinito, o conhecimento depositado no fim do arco íris inalcançável, mas que nutre nossos desejos e nos torna existentes justamente pelo que aprendemos na jornada. "Achar, pensar que já chegou, se creditar um pronto detentor da verdade" nos torna fracos, amargos, arrogantes e petulantes; de fato: falsos deuses.

Há uma advertência em Platão, diz o filósofo que: pior do que a ignorância é o falso conhecimento ou o conhecimento nas mãos erradas!

Vejamos o mundo, este está apinhado de falsos conhecedores, de pseudo gente, pseudo humanos, de fato há uma abundância massiva formada por pseudo humanidade. Estes; usam e saturam o mundo com a inteligência até certo ponto, para e daí não passarem, não evoluírem, assim estagnando e impossibilitando de uma grandeza esclarecida: verdadeira grandeza incitada perla razão. Desse modo, assim se fizeram "os superiores", assim vão destruindo o mundo pela ignorância que defendem, inteligência como uma doença fatal, um estado de coma da alma; seja na política, na religião, na cultura em geral...são defensores da destruição da vida - percebendo ou não - sendo estes os manipuladores ou os manipulados - ambos todos culpados de crimes contra a vida!!!

Infinitos são os manifestos em prol da destruição da vida. Jogar lixo no chão - é ser destruidor da vida...parece simples e pequeno...mas revela o que é aquele ser ali...um destruidor...um “ser” anti vida construtor do caos. Desviar recursos públicos é um trabalho contra a vida, degradar a linguagem da existência deformando a vida em sua prática cotidiana, a destruição da estética como valor, a destruição da Arte; trata-se do mesmo princípio anti humano aplicado em novo estágio de uma doença contrária a civilização, contrária ao que se afirmaria: humanidade.

Outras formas ideológicas como sintoma de uma inteligência guiada para o coma.

*Negar educação sexual para uma sociedade onde engravidam-se as mulheres sem o devido amadurecimento e os homens são incompetentes para a paternidade é ser contrário a vida. **Ser contra o aborto numa sociedade onde há estupros, morte por inanição, pobreza e falta de acesso a saúde e ao desenvolvimento - é ser contrário a vida. ***Ser a favor do aborto onde exista tanta banalidade sexual, onde há lixo no chão, onde a linguagem seja decadente e limitada, onde os valores da vida são associados a festas intermináveis que culminam em seres feitos pela bebida, gerados pelo prazer animal, pela violência, pelo falso adulto inconsequente em seus violentos desejos: é ser contrário a vida...

Devemos ser a favor da vida sempre...mas isso não é algo simples, discursivo, ingênuo e positivista. A vida é uma questão de espírito; para o espírito – existência / resistência.

Defender a vida é muitas vezes defender a morte e defender a morte é muitas vezes valorizar a vida...Sem sabedoria superior (filosofia), não há como saber o real papel que estamos defendendo no exercício de nossas ideologias...

Encontrar-se com outras Belezas é a mais profunda necessidade para todo aquele que decide atravessar o vale dos mortos onde a vida é sem existência. O caminho não se apresenta em brilho celeste, é tateado em chão cinza. Entretanto num dado momento as brumas se dissipam e a luz da estrela percorre a mente tomando o espaço celeste do espírito. O mundo será o mesmo, mas não mais o indivíduo que deixou de ser um sujeito acomodado sob o julgo e peso da pseudo humanidade.

Há duas formas de tristeza no mundo: Uma tristeza nascida pela ausência de felicidade e esta é sempre comparativa diante da felicidade ornamental promovida pelo próximo e semelhante ao lado; uma tristeza promovida pelo desejo de ser "feliz tanto quanto o outro". Esta é uma tristeza mortal ao espírito humano, é existente na inveja, acomodando a vida num coma onde as ilusões serão dadas por realidade num corpo cujo a vida encontra-se presa e definhando.

Uma outra forma de tristeza é aquela nascida dos olhos que foram postos no horizonte da própria mente e lá observaram um brilho chamado espírito. Uma tristeza nascida do conhecimento das distâncias do universo, da imensidão de tudo ao redor. Uma tristeza nascida da convulsão e ânsia diante da exuberância viva como existência finita, delicada, necessária para a Beleza do Ser. Essa é a tristeza nascida do desejo humano demasiadamente humano, sejamos espírito então!

Devemos pois nos alegrar: há filosofia e tristeza - o paradigma da superação da inteligência como possibilidade para a razão humana; humanizadora -civilizada.

A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a ninguém e não contraria ninguém, não é uma filosofia. A filosofia serve para prejudicar a tolice, faz da tolice algo de vergonhoso. Não tem outra serventia a não ser a seguinte: denunciar a baixeza do pensamento sob todas as suas formas (Gilles Deleuze)*

https://filoinfo.net/node/126#:~:text=A%20filosofia%20serve%20para%20entristecer.,sob%20todas%20as%20suas%20formas.

Robson A. Silva. Jaraguá do Sul

Santa Catarina / Abril 10 / 2022.




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