DESPERTAR HUMANO E A ANTI HUMANIDADE
EM SEU SONO
(" A Inteligência quando e como
estado de coma profundo")
A alegria pelo conhecimento que nos
entristece.
P
ois;
diante do despertar, diante da incômoda posição de um saber que se
choca com o mundo das massificações e das impressões dadas pela
cultura deformadora, trilhar o caminho que nos afaste desse destino
dos cegos, é um caminhar que depende de disposição individual
onde, continuar significa renascer ou mesmo nascer de fato para o
mundo; por outro viés - crer-se já sabedor, crer-se numa posição
de chegada, significa morrer profundamente sem jamais fitar o Sol
verdadeiro.
Insistir
e investir-se no conhecimento e continuar esta tal trilha, lhe
revelará cada vez mais "as coisas" que ali estavam
escondidas sob o manto da escuridão da luz da impostura. Essas
descobertas são feitas de desafios e indigestão, mas também há
prazeres que igualmente nos foram tomados , roubados para então
serem ignorados, até então desconhecidos, podemos falar de um
estado de descobertas inclusive a descoberta de outras Belezas cujo o
significado seja: o prazer pela vida em plena diversidade!
Entretanto,
armadilhas há, o sistema da decadência se defende justamente pela
ideia do conhecimento, pois o ignorante não defende a ignorância
como valor - defende justamente o "conhecimento" (
entretanto: um “saber” que ignora a verdade, a devoção pela
falsa luz)!
Sobre o
conhecimento como valor humano, neste caminhar, não há de fato um
destino certo, um ponto de chegada. Uma chegada seria um destino, um
ponto fixo, uma condição que; vez atingida ali estaria um deus
qualquer feito do absoluto e esta condição não é a condição
humana. Somos viajantes sempre em busca do infinito, o conhecimento
depositado no fim do arco íris inalcançável, mas que nutre nossos
desejos e nos torna existentes justamente pelo que aprendemos na
jornada. "Achar, pensar que já chegou, se creditar um pronto
detentor da verdade" nos torna fracos, amargos, arrogantes e
petulantes; de fato: falsos deuses.
Há uma
advertência em Platão, diz o filósofo que: pior do que a
ignorância é o falso conhecimento ou o conhecimento nas mãos
erradas!
Vejamos
o mundo, este está apinhado de falsos conhecedores, de pseudo gente,
pseudo humanos, de fato há uma abundância massiva formada por
pseudo humanidade. Estes; usam e saturam o mundo com a inteligência
até certo ponto, para e daí não passarem, não evoluírem, assim
estagnando e impossibilitando de uma grandeza esclarecida: verdadeira
grandeza incitada perla razão. Desse modo, assim se fizeram "os
superiores", assim vão destruindo o mundo pela ignorância que
defendem, inteligência como uma doença fatal, um estado de coma da
alma; seja na política, na religião, na cultura em geral...são
defensores da destruição da vida - percebendo ou não - sendo estes
os manipuladores ou os manipulados - ambos todos culpados de crimes
contra a vida!!!
Infinitos
são os manifestos em prol da destruição da vida. Jogar lixo no
chão - é ser destruidor da vida...parece simples e pequeno...mas
revela o que é aquele ser ali...um destruidor...um “ser” anti
vida construtor do caos. Desviar recursos públicos é um trabalho
contra a vida, degradar a linguagem da existência deformando a vida
em sua prática cotidiana, a destruição da estética como valor, a
destruição da Arte; trata-se do mesmo princípio anti humano
aplicado em novo estágio de uma doença contrária a civilização,
contrária ao que se afirmaria: humanidade.
Outras formas ideológicas como
sintoma de uma inteligência guiada para o coma.
*Negar
educação sexual para uma sociedade onde engravidam-se as mulheres
sem o devido amadurecimento e os homens são incompetentes para a
paternidade é ser contrário a vida. **Ser contra o aborto numa
sociedade onde há estupros, morte por inanição, pobreza e falta de
acesso a saúde e ao desenvolvimento - é ser contrário a vida.
***Ser a favor do aborto onde exista tanta banalidade sexual, onde há
lixo no chão, onde a linguagem seja decadente e limitada, onde os
valores da vida são associados a festas intermináveis que culminam
em seres feitos pela bebida, gerados pelo prazer animal, pela
violência, pelo falso adulto inconsequente em seus violentos
desejos: é ser contrário a vida...
Devemos
ser a favor da vida sempre...mas isso não é algo simples,
discursivo, ingênuo e positivista. A vida é uma questão de
espírito; para o espírito – existência / resistência.
Defender
a vida é muitas vezes defender a morte e defender a morte é muitas
vezes valorizar a vida...Sem sabedoria superior (filosofia), não há
como saber o real papel que estamos defendendo no exercício de
nossas ideologias...
Encontrar-se
com outras Belezas é a mais profunda necessidade para todo aquele
que decide atravessar o vale dos mortos onde a vida é sem
existência. O caminho não se apresenta em brilho celeste, é
tateado em chão cinza. Entretanto num dado momento as brumas se
dissipam e a luz da estrela percorre a mente tomando o espaço
celeste do espírito. O mundo será o mesmo, mas não mais o
indivíduo que deixou de ser um sujeito acomodado sob o julgo e peso
da pseudo humanidade.
Há
duas formas de tristeza no mundo: Uma tristeza nascida pela ausência
de felicidade e esta é sempre comparativa diante da felicidade
ornamental promovida pelo próximo e semelhante ao lado; uma tristeza
promovida pelo desejo de ser "feliz tanto quanto o outro".
Esta é uma tristeza mortal ao espírito humano, é existente na
inveja, acomodando a vida num coma onde as ilusões serão dadas por
realidade num corpo cujo a vida encontra-se presa e definhando.
Uma
outra forma de tristeza é aquela nascida dos olhos que foram postos
no horizonte da própria mente e lá observaram um brilho chamado
espírito. Uma tristeza nascida do conhecimento das distâncias do
universo, da imensidão de tudo ao redor. Uma tristeza nascida da
convulsão e ânsia diante da exuberância viva como existência
finita, delicada, necessária para a Beleza do Ser. Essa é a
tristeza nascida do desejo humano demasiadamente humano, sejamos
espírito então!
Devemos
pois nos alegrar: há filosofia e tristeza - o paradigma da
superação da inteligência como possibilidade para a razão humana;
humanizadora -civilizada.
A
filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a
ninguém e não contraria ninguém, não é uma filosofia. A
filosofia serve para prejudicar a tolice, faz da tolice algo de
vergonhoso. Não tem outra serventia a não ser a seguinte: denunciar
a baixeza do pensamento sob todas as suas formas (Gilles Deleuze)*
https://filoinfo.net/node/126#:~:text=A%20filosofia%20serve%20para%20entristecer.,sob%20todas%20as%20suas%20formas.
Robson
A. Silva. Jaraguá do Sul
Santa
Catarina / Abril 10 / 2022.