Ao longe nem tão longe, atenha-se ao som do sino,
Dentro de si, o deus caído angustía-se,
Sobre duas patas marcha em seu compasso,
Entre o berça e a vela: os sonhos de criança!
Bem próximo e aconchegado à tudo que o homem conhece, está o fim,
Tão distantes estão os deuses, as verdade e as palavras,
Ao longe, todo resto é sempre memória,
Ao som do sino, tudo é orvalho perdido sem face,
Despido segue o homem o cortejo, a marcha gritante insofismável,
Para a alma onde tudo é silêncio,
Nada é além do corpo, no abrigo gélido desse cortejo,
Se assim se fez o medo, assim se fizeram os homens,
O deus caído ainda caminha selvasgem pelo mundo,
encontra-se entre o nada e a eternidade,
O baile de suas pegadas pelo mundo,
é o peso de sua cabeça onde a alma respira,
Ao longe, bem mais próximo, já dormem as velas,
acorda o deus para a sua vida,
sob seus pés há memória ruidosa,
Sino e aurora no compasso de um peito sempre insuficiente.
L.L.L. (16/Abril/2020).


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