quarta-feira, 13 de abril de 2022


Distâncias

Ao longe nem tão longe, atenha-se ao som do sino,

Dentro de si, o deus caído angustía-se,

Sobre duas patas marcha  em seu compasso,

Entre o berça e a vela: os sonhos de criança!

Bem próximo e aconchegado à tudo que o homem conhece, está o fim,

Tão distantes estão os deuses, as verdade e as palavras,

Ao longe, todo resto é sempre memória,

Ao som do sino, tudo é orvalho perdido sem face,

Despido segue o homem o cortejo, a marcha gritante insofismável,

Para a alma onde tudo é silêncio,

Nada é além do corpo, no abrigo gélido desse cortejo,

Se assim se fez o medo, assim se fizeram os homens,

O deus caído ainda caminha selvasgem pelo mundo,

encontra-se entre o nada e a eternidade,

O baile de suas pegadas pelo mundo,

é o peso de sua cabeça onde a alma respira,

Ao longe, bem mais próximo, já dormem as velas,

acorda o deus para a sua vida,

sob seus pés há memória ruidosa,

Sino e aurora no compasso de um peito sempre insuficiente.

L.L.L. (16/Abril/2020).

 

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